Muitas empresas consideradas durante muitos anos como exemplos de sucesso experimentaram grandes dificuldades, um pouco por todo o mundo, e algumas até fracassaram, sendo compradas ou assimiladas por outras, teóricamente, com menos historial de sucesso.
Paralelamente muitas iniciativas de empresários individuais transformaram-se em grandes empreendimentos, enquanto outras, ao fim de um início prometedor acabaram por falhar quando tudo apontava para o seu sucesso.
Qual a razão porque algumas empresas adquirem e mantém uma dinâmica de sucesso e outras não demonstram essa capacidade, fracassando mesmo que tenham demonstrado esse dinamismo durante algum tempo?
As escolas contingenciais de gestão apresentam fundamentalmente 2 teorias:
A dos defensores dos conceitos de cicio de vida das empresas que predizem que o sucesso das organizações está ligado à capacidade das mesmas se adaptarem internamente ao crescimento e desenvolvimento da própria organização, e a dos defensores das teorias ecológicas que defendem que 0 sucesso depende de aspectos externos ambientais da envolvente da empresa, como a competição, o nivel de saturação do mercado e a turbulència do meio ambiente.
Embora naturalmente a completa justificação dos fenómenos de sucesso e fracasso empresarial tenham de ser encontrados nos aspectos relacionados com ambas as escolas de pensamento, as escolas de cicio de vida proporcionam um melhor suporte para compreender a problemática do desenvolvimento organizacional e da importância das infra-estruturas como área nobre da gestão das empresas e do seu sucesso.
A abordagem desenvolvida pelo Prof. Eric Flamholtz apresenta um modelo claro de Eficiência Organizacional dentro dos conceitos de ciclo de vida das empresas e com a finalidade de ajudar a compreender melhor os problemas relacionados com o seu crescimento e as mudanças infra-estruturais necessárias ao seu desenvolvimento.
Todas as organizações empresariais, independentemente da sua dimensão, idade ou actividade têm de executar um conjunto de 6 funções de forma a constituirem uma unidade empresarial relamente eficiente.
Essas 6 funções constituem a Pirâmide de Desenvolvimento Organizacional apresentada na figura seguinte.

GRANDES FUNÇÕES DA PIRÂMIDE DE DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL
Identificação e Definição de Mercados e Nichos
o requisito básico para o desenvolvimento de uma empresa com sucesso é a identificação e definição do seu mercado, e, se possível, do seu nicho ( um nicho é um pequeno segmento do mercado onde uma empresa pode desenvolver uma vantagem competitiva na satisfação das necessidades dos clientes).
Esta grande função de gestão inclui a identificação de potenciais clientes, das suas necessidades, e o desenho de uma estratégia competitiva. Assim a primeira pedra basilar da pirâmide de desenvolvimento organizacional é uma ideia ou um conceito, que pode ser produto de um largo processo de pesquisa, ou de uma brilhante, às vezes acidental, visão duma oportunidade.
Desenvolvimento de Produtos e Serviços
A segunda grande função é o desenvolvimento de produtos e serviços que satisfaçam as necessidades dos clientes identificados na função anterior.
A identificação das necessidades, só por si, não é suficiente se a empresa não tiver a capacidade de desenvolver e produzir produtos e serviços necessários para colmatar essas necessidades. Este processo envolve não só o desenho e a produção mas também os mecanismos de distribuição e manutenção pós-venda desses produtos ou serviços.
O sucesso desta grande função é em grande parte fruto dos planos estratégicos de marketing, da percepção do valor acrescentado dos produtos e da forma como se percepciona a aquisição desses produtos ou serviços.
Aquisição de Recursos
A terceira grande função do desenvolvimento empresarial é a aquisição e a gestão dos recursos necessários à sua operacionalidade e futuro crescimento.
O sucesso das empresas, nas duas funções anteriores aumenta a procura dos seus bens e serviços, levando a utilização dos recursos operativos até ao seu limite. De repente descobre-se a falta de mais recursos físicos e técnicos (equipamento, espaço, etc.), financeiros ou de quadros humanos. A gestão desses recursos torna-se crítica a partir de determinada dimensão, e se não se actuar em termos de necessidades futuras poder-se-á comprometer todo o projecto empresarial.
Os recursos da empresa, conjuntamente com os seus sistemas operacionais e os seus sistemas de gestão, compreendem aquilo que é vulgarmente designado por infra-estrutura da organização.
Desenvolvimento de Sistemas Operacionais
A administração do funcionamento diário das empresas compreende um conjunto de procedimentos e processos que na sua globalidade compõem os seus sistemas operacionais.
Entre esses procedimentos e processos incluem-se as operações dos sistemas de contabilidade, de facturação, de cobranças, de marketing, de pessoal, de vendas, de produção, de distribuição, etc., etc., etc...
A simplificação operacional do dia a dia depende da eficiência destes sistemas. Basta lembrar, por exemplo, os problemas que poderão advir se não houver um registo que mantenha actualizadas as ordens de encomenda, os pagamentos, ou os prejuízos resultantes de uma distribuição ineficiente.
Desenvolvimento de Sistemas de Gestão
A quinta função na construção da Pirâmide organizacional é o desenvolvimento dos Sistemas de Gestão da empresa.Os sistemas de gestão incluem todas as funções requeridas para a previsão do crescimento e desenvolvimento a longo prazo, abrangendo os processos de planeamento, organização, desenvolvimento de quadros e controle de gestão.
Os sistemas de planeamento compreendem a definição dos objectivos e metas, assim como a sua calendarização e orçamento. Incluem-se nesta planificação os planos estratégicos e os operacionais ou tácticos.
Os sistemas de organização, ou de estrutura, determinam como é que as pessoas estão organizadas, a hierarquia da companhia e a forma como as actividades são coordenadas.
Os sistemas de desenvolvimento de quadros planeiam a forma de aquisição das competências necessárias ao enquadramento futuro da organização.
Os sistemas de controle integram os processos utilizados para acompanhar os objectivos e as metas planeadas, assim como os mecanismos de motivação para a obtenção desses resultados, como os sistemas de orçamentação, de controle de resultados e de avaliação de desempenho.
Cultura Empresarial
A última pedra basilar da Pirâmide de desenvolvimento organizacional é a cultura da empresa.
O conjunto de valores, convicções e normas partilhadas pela empresa, compõem a cultura empresarial, e a sua gestão poderá ser bastante importante se pensarmos que esse conjunto de valores, normas e convicções definem a forma como se espera que as pessoas operem no seu dia a dia de trabalho.
Os valores são o conjunto dos aspectos que a organização pensa serem importantes para a qualidade dos seus produtos, do serviço a prestar aos clientes ou do tratamento das pessoas.
As convicções são as ideias que os quadros têm de si próprios como individualidades e da firma como entidade.
As normas são o conjunto de regras, escritas ou não, que são um guia das interacões e dos comportamentos incluindo a linguagem, a forma de vestir ou o humor.
FASES DO CICLO DE VIDA DAS EMPRESAS
Dimensão Empresarial e Ciclo de Vida das Empresas
As empresas atravessam evolutivamente estágios de desenvolvimento organizacional que podem ser reconhecidas dentro duma concepção faseada do seu ciclo de vida. Essas fases, ou estágios de desenvolvimento organizacional são determinadas pela dimensão da empresa, medida em função do volume de Vendas.
Os estudos de E. Flamholtz provam que embora todas as grandes 6 funções descritas anteriormente tenham de ser executadas satisfatoriamente pelas empresas, nem todas recebem o mesmo realce já que para cada fase do ciclo de vida há funções que são mais críticas que outras no desempenho e sucesso das organizações.
O quadro seguinte mostra-nos as funções críticas nos estágios do ciclo de vida das empresas:

Fase I - Novo Negócio
O ciclo de vida das empresas começa normalmente por esta fase, que inclui a concepção da própria empresa, até que esta atinja um valor aproximado de 1 milhão de Euros de vendas anuais.
A empresa deve, como em todos os estágios, efectuar todas as funções de gestão, mas o grande ênfase recai na Definição de Mercados e no Desenvolvimento de Produtos e Serviços.
As competências necessárias para desenvolver esta fase são normalmente aquelas que apresentam as pessoas que se tornam pequenos empresários e patrões do seu próprio negócio: a habilidade de descobrir uma oportunidade na satisfação duma necessidade do mercado e a vontade de arriscar num investimento que crie uma organização capaz de cobrir essa necessidade.
Se o empreendimento obtiver êxito nas duas primeiras funções determinantes do desenvolvimento organizacional, rapidamente a sua dimensão ultrapassará o milhão de Euros e um novo conjunto de desafios aparecerão.
Fase II - Expansão
A expansão é a segunda fase do ciclo de vida das empresas.
Um crescimento muito rápido no volume de vendas provoca, muitas vezes, que os recursos das empresas fiquem explorados até o limite, requerendo um aumento significativo em pessoal, equipamento, espaço e meios financeiros. Paralelamente os sistemas operacionais de pessoal, produção, distribuição, compras, recebimentos, pagamentos e outros ficam afogados pelo volume de trabalho que lhes é exigido.
As empresas necessitam duma infra-estrutura de recursos e sistemas operacionais que comporte o aumento das operações e dos problemas do dia a dia, e muitas companhias passam por enormes dificuldades durante esta fase, porquanto os fundadores das empresas têm dificuldades em lidar com este novo tipo de problemas, que provieram do êxito alcançado na primeira fase do seu empreendimento.
Os desafios desta fase são fundamentalmente diferentes dos da implementação dum novo negócio, e portanto também requerem competências distintas.
Nem todas as organizações, mesmo aquelas que foram brilhantes na 1ª fase de desenvolvimento, conseguem gerir o acompanhamento das infra-estruturas com o aumento da sua dimensão, que envolve a eficácia das duas funções críticas desta fase do ciclo de vida: (1) A capacidade de obter os recursos necessários e (2) a habilidade de desenvolver sistemas opercionais complexos de exploração desses recursos.
Fase III - Profissionalização
Algures no período de crescimento da empresa verifica-se que o aumento de recursos (pessoas, dinheiro, equipamento, espaço, etc.) e dos sistemas operacionais não é suficiente para mudar a empresa para um novo tipo de organização, mais desejável em função do seu crescimento.
Sente-se a necessidade duma mudança mais qualitativa que quantitativa. Até este ponto a firma tem sido gerida de um modo mais ou menos informal, não tem perfeitamente definidas as suas metas, as responsabilidades, os seus planos, mas continua a prosperar.
A fase de profissionalização, que se alcança aproximadamente por volta duma facturação anual de 10 milhões de Euros requer um tipo de gestão que permita a operacionalização de planos formais, reuniões regulares, definição explícita de papéis e responsabilidades, sistemas de avaliação de competências e de controle de gestão. A dimensão da empresa não é mais compatível com o grau de informalização praticado até data, e a continuidade de sucesso do crescimento só se poderá manter com o desenvolvimento dos sistemas de gestão, que são críticos nesta fase do ciclo de vida empresarial.
A partir desta dimensão, a empresa terá de adoptar uma filosofia de gestão onde a profissionalização, vista como uma gestão técnica especializada das diversas áreas de funcionamento, se faça sentir.
É nesta dimensão que as características clássicas dos empresários que criaram o seu próprio negócio deixa de ser uma vantagem, se os mesmos não forem capazes de visionar a necessidade de uma gestão focada em aspectos que envolvem uma maior profissionalização das funções determinantes da organização.
As principais diferenças das competências das diversas áreas de gestão necessárias antes e depois da Profissionalização são apresentados no capítulo "Antes e depois da profissionalização".
Fase IV - Consolidação
Depois de uma empresa ter conseguido profissionalizar efectivamente os seus sistemas de gestão encontrará pelo frente um novo desafio que consiste na consolidação e na gestão da sua cultura empresarial.
Embora, desde o seu início, cada empresa tenho a sua cultura própria, esta nunca foi um aspecto crítico do seu desenvolvimento. Nesta fase e devido à grande dimensão do organização ( mais de 100 milhães de Euros de vendas anuais) este aspecto torna-se fundamental para a manutenção do sucesso empresarial.
Se a cultura não for gerida, com esta dimensão, os membros do organização começarão a interpretar os elementos culturais, cada um à sua maneiro, de forma o satisfazer as próprias necessidades e não aquelas que servem os interesses do organização.
Durante os estágios iniciais de desenvolvimento das firmas a cultura pode ser transmitida através dos interacções diários dos empreendedores com os seus quadros, mas com esta dimensão, isto não é mais possível, não só pelo aumento desses quadros, como pela própria falta de tempo. O processo de osmose cultural não é mais suficiente para que haja uma visão partilhada do que a companhia é e para onde pretende ir.
A habilidade de desenvolver um programa formal de transmissão do cultura é o factor crítico do desenvolvimento organizacional desta fase avançado do ciclo de vida dos empresas.
Fase V - Diversificação
Depois de uma organização completar a fase de consolidação, o próximo desafio é normalmente a diversificação. A linha de produtos e o mercado tornaram-se relativamente saturados e o seu crescimento não suportou os necessidades de evolução da organização. Nesta altura os empresas têm necessidades de encontrar novos produtos e mercados paro se expandirem.
Os desafios são agora idênticos aos da fase de Novo Negócio, embora a diversificação se efectue dentro de dois vectores: de um produto ou linha de produtos para outro, ou de um negócio para um conjunto de negócios.
Estas tarefas podem ser desenvolvidas na própria organização ou através da aquisição de outras organizações, no entanto, se as aquisições forem efectuadas sem uma infra-estrura adequada para as gerir, o resultado pode ser desastroso.
Esta fase requer um regresso ao espírito original das empresas. As característicos típicas dos empresários e patrões do seu próprio negócio seriam novamente fundamentais, mas, nesta altura, eles já não estão normalmente com as companhias, ou caso estejam, já não têm o tempo ou o mesmo espírito original. Assim essa dinâmica tem de ser restabelecida de uma outra forma através de gestores que possuam essas faculdades.
Fase VI - Integração
Normalmente a fase de diversificação é acompanhada pela criação de divisões próprias para gerirem os processos de desenvolvimento dos novos produtos e mercados. Quando essa fase acaba, a organização é composta por um conjunto de negócios total ou parcialmente relacionados.
Potencialmente as divisões que resultam deste processo são capazes de se tornarem entidades individuais, e o desafio principal desta fase é a capacidade de integrar e de centralizar convenientemente as diferentes unidades sem lhes retirar a flexibilidade necessária. O balanço entre estas duas necessidades torna-se a chave da gestão, e a extensão dos problemas de integração está dependente de aspectos como a dimensão, a dispersão geográfica, a complexidade dos negócios, etc.
O foco da gestão deve ser efectuado sobre os aspectos relacionados com a Cultura Organizacional, os Sistemas de Gestão, os Sistemas e os Recursos Operacionais.
Crescimento e Mudança Organizacional
Se as empresas na evolução do seu ciclo de vida não conseguirem adequarem o seu desenvolvimento organizacional à sua dimensão, isto é, se crescerem mais depressa que as suas infra-estruturas começarão a sentir um conjunto de sintomas típicos (que chamaremos Dores de Crescimento Organizacional) que serão um sinal de aviso para que se efectuem as mudanças infra-estruturais necessárias.
A não realização atempada dessas mudanças levará as empresas a problemas que a impedirão de desempenharem bem as suas missões e que são a razão pela qual muitas fracassam mesmo depois de terem tido muito sucesso. As empresas poderão assim chocar no seu próprio crescimento, devendo o desenvolvimento organizacional ser previsto de forma a amortecer os choques que o próprio crescimento e sucesso atraiem, tendo principalmente em consideração as funções críticas que correspondem à sua dimensão efectiva.

Uma das fases com mais impacto no desenvolvimento das organizações é aquele que emerge da evolução da fase de Expansão para a fase da Profissionalização.
A fase de profissionalização não é mais compatível com o grau de informalização praticado até à data, e a continuidade de sucesso e do crescimento só se poderá manter com o desenvolvimento dos sistemas de gestão, críticos nesta fase do ciclo de vida empresarial.
É nesta dimensão que as características clássicas dos empresários que criaram o seu próprio negócio deixa de ser uma vantagem se não visionarem a necessidade de uma gestão focada nos aspectos que envolvem uma maior profissionalização das funções determinantes da organização
O quadro seguinte mostra as principais diferenças na forma de encarar as áreas da gestão antes e depois da Profissionalização:
